
Como acontece todos os anos numa ilha longínqua, em finais de Maio de cada ano, eles vêm aos milhares, fãs esgotam ferries e voos para a Ilha de Man.
Esta tradição com mais de 100 anos faz com que este seja um lugar mágico para quem gosta e vive o motociclismo.
Assim que desembarcaram, tomam-se cada ponto de vantagem ao redor da ilha para assistir aos pilotos que através ads corridas de motos testam as suas habilidades contra o outro sobre o traiçoeiro circuito rodoviário.
Trata-se de desporto automóvel no seu estado mais primitivo puro e perigoso.
Na década de 1970, porém, a Ilha de Man TT estava a ter problemas com a perda de um rosto e credibilidade. O campeão mundial de Barry Sheene apresentou-se para correr e caiu com a moto na segunda volta criticando o lugar. Muitos outros consideraram a ilha como demasiado perigosa após uma sequência de mortes e, como resultado, ele perdeu o seu estatuto de Grand Prix. Os números caíram.

O evento precisava de um salvador. Eles tinham um. Ele estava sentado na distante Nova Zelândia, e estava completamente entediado. "Mike the Bike" Hailwood tinha corrido na ilha pela ultima vez em 1967, ganhando a sua 12 ª corrida TT e carimbar a sua reputação como um dos maiores expoentes do desporto. Depois de se retirar passou para as corridas de Fórmula 1 e estava destinado para subir ao topo quando teve um violento acidente em Nurburgring em 1974, ferindo o seu pé e aqui termina a sua carreira em F1.

O que faz um campeão viciado em velocidade adrenalina e com excesso de competitividade na casa dos 30s sem corridas? Hailwood abriu uma loja de motos em Birmingham. Como isso não o estava a satisfazer, mudou-se para a África do Sul, onde ele esperava montar um negócio de táxis-aéreos. Mas eventualmente acabou na Nova Zelândia.
O seu agente e amigo, Ted Macauley, sabia que ele estava infeliz. "Havia essa inquietação dentro dele, porque ele andava a competir desde que ele era um miúdo. Competir estava no seu sangue ", diz Macauley. Um dia caiu uma carta de Hailwood na caixa de correio da Macauley na sua casa em Manchester. Na carta dizia ao seu agente que ele queria voltar para corridas TT, 11 anos após o a sua última oficial de motociclismo. Macauley ficou de boca aberta com aquelas palavras. "Eu não acho que foi uma boa ideia, porque o TT tinha um tal recorde de mortes e destruição, até mesmo para amigos que estavam 110%, nunca pensei que alguém como o Mike, que era barrigudo, tinha um pé todo destruído e com 38 anos de idade".
Hailwood estava decidido e seu regresso à ilha começou a todo o vapor no início de 1978. Patrocinadores choviam de todos os lados e todos queriam saltar para a moto. "A sua motivação não era certamente o dinheiro", diz Macauley. "O seu pai era um bilionário desde 1947 através das suas empresas de motos e esse dinheiro chegava certamente ao Mike". Com estas afirmações tudo se tornou ainda mais intrigante. Porque é que ele queria voltar a arriscar o pescoço numa corrida que era de longe a mais perigosa e exigente corrida do mundo? "A sua motivação foi puramente a inquietação porque não sabia o que fazer com a sua vida".

Agora tarefa era a de encontrar uma moto que, se ele ganhasse, era devido ao seu talento e se ele perdesse, era porque a moto não era suficientemente boa. Foi então ´que a escolha caiu sobre a Ducati SuperSport 900 preparada pelos experientes britânicos da NCR. A yamaha lhe cedeu uma 750cc, uma 500cc e uma 250cc para as outras três classes onde ele se inscreveu e a Martini financiou o regresso.
A notícia do regresso de Hailwood à ilha espalhou-se. "Você não conseguia arranjar um voo, você não podia obter um quarto de hotel. Foi surpreendente ", afirma Macauley. "Entre 50.000 e 60.000 pessoas chegaram à ilha de Man para as corridas. Sempre que o Mike ia à ilha, as pessoas paravam para falar com ele. Não houve grande expectativa dos fãs, apenas lhe diziam para se divertir e fazer o seu melhor, essa foi a mensagem".
Um repórter consegue uma entrevista que fica para a história. Numa tentativa de arrancar um par de palavras sobre o motivo do seu regresso só consegue obter uma expressão de Hailwood, "eu estava a precisar de dinheiro amigo! (i needed the money mate)".

O grande evento foi a sua primeira corrida, a categoria de Fórmula Um. Os pilotos começam em pares e intervalos de 10 segundos. Hailwood foi o nº 12, uma posição ideal na grelha porque tinha adversários para perseguir bem como para o perseguir. Ele saiu como um foguete e registou a sua volta mais rápida de sempre no TT. A velocidade foi de de 109,87 mph. Foi incrível! Para a alegria dos seus fãs, ele passou grande rival Phil Read que afirmou "eu não queria acreditar quando ouvi aquele barulho, pensei não podia ser ele!". Hailwood nunca abrandou o seu ritmo frenético, passou o Phil e manteve sempre os olhos na linha de chegada e ia recebendo gestos e palavras de força e delírio de todos os fãs à medida que o fim se ia aproximando. Derrotou o John Williams numa honda e Ian Richards numa kawasaki. A ilha ficou completamente louca. A lenda estava de volta.
Infelizmente para Hailwood o resto da quinzena de corridas não foi tão memorável. As yamaha não eram motos tão fiáveis como a Ducati e ele terminou na 28 posição nos sénior, em 12 º na 250cc Júnior e desistiu na classe de clássicas quando o motor rebentou logo nas primeiras voltas.

Hailwood deixou a ilha em 1978 com o trabalho inacabado e estava determinado a voltar no ano seguinte. Agora, 39 anos, mas ainda possuindo sua habilidade inata sobre a moto, ele voltou a escrever o nome na história vencendo a classe de sénior em 1979 desta vez com uma suzuki 500cc.
Foi então que se envolveu numa dramática corrida de seis voltas na sua ultima aparição no circuito da Montanha. O escocês George Alex num Honda, liderou as primeiras quatro voltas antes de Hailwood se agarrar à liderança sendo menos de um segundo mais rápido ao entrar na última volta. George, no entanto, fez uma volta recorde acabando por vencer por 3.4sec com uma velocidade média de 113,08 mph, a mais rápida atá à data numa corrida do TT. Hailwood obteve um glorificante segundo lugar, mas tinha revelado que ele ainda era um adversário à altura para os melhores no circuito mais difícil do mundo. Agora poderia aposentar-se graciosamente. Ele tinha salvo as corridas do TT.
Paul Butler um antigo manager da Dunlop competições , Butler chefe de projectos da yamaha baseada em Amstelveen, Holanda. Agora, director das corridas de MotoGP, vive em East Anglia.
Ted Macauley foi o agente de Hailwood e organizador do seu regresso. Agora escreve livros, vive em Surrey, e é o biógrafo do campeão mundial Superbike James Toseland.
Jerry Wood é o chefe de oficina da yamaha, ele parou e vive na Holanda.
Robert Jackson foi o elo de ligação entre os distribuidores da yamaha na Grã-Bretanha e da equipa. Agora vive em Itália, onde gere um hotel e tem uma propriedade empresarial.
"Mike the Bike" Hailwood o vencedor de nove campeonatos mundiais de motociclismo, 74 Grandes Prémios e 14 corridas de TT, o carismático e singelo Hailwood convertido em corredor de carros de corrida em Fórmula Um. Após resgatar Clay Regazzoni de um F1 em chamas, foi premiado com a medalha George de bravura. Hailwood e a sua filha Michelle de nove anos de idade, morreram num acidente de carro em Março de 1981 quando iam comprar peixe e batatas fritas e um camionista fez uma manobra ilegal. Tinha na altura 40 anos de idade.


Rodney Gould o antigo campeão mundial de 250cc foi chefe promoções e publicidade na yamaha. Ele era o sócio de Hailwood num stand de motos em Birmingham. Agora está aposentado e vive em Espanha.
John Mockett um designer, artista e cartunista, criou todo o design das motos e fatos da equipa. Foi designer da Triunph e ainda desenha.
Nobby Clark um Sul Africano, era mecânico de Hailwood na honda. Estava a "cuidar" da moto do campeão mundial Kenny Roberts na yamaha quando se juntou ao grande esforço no regresso ao TT. Agora vive nos E.U. e restaura MV-Agustas clássicas para proprietários ricos na América.
Trevor Tilbury um especialista em 250cc foi considerado um dos melhores mecânicos sobre "Lightweights", trabalha por conta própria e vive na Holanda.
Tony Beardmore um promotor executivo da Martini, a empresa que financiou Hailwood no seu regresso.
Este texto é o resultado de uma compilação de textos da época e contem expressões (que se julgam ser verdadeiras) ditas pelos seus autores.
http://www.mikethebike.com/home.htm
O Ducati Owners Portugal agradece ao Daniel Eustáquio a sua contribuição neste artigo.