MotoGP: ''Uma equipa privada não é solução para Rossi''

Não seria de esperar outra coisa a partir do momento em que Valentino Rossi decidiu tornar públicas, as suas frustrações para com o tratamento que a Ducati dá ao “feedback” que o piloto italiano tem fornecido à Ducati Corse para desenvolver o protótipo de MotoGP.

Depois de um começo de temporada muito abaixo daquilo que seria de esperar, começaram a surgir rumores de que Rossi estaria de saída da Ducati, a caminho de criar uma formação própria, algo semelhante ao que aconteceu quando “Il Dottore” passou das 250 cc para as 500 cc 2T e assumiu os comandos de uma Honda com as cores da Nastro Azzurro, quando na altura a marca japonesa tinha uma equipa oficial.

Esses mesmos rumores apontaram imediatamente para que Rossi estaria a negociar com as marcas japonesas atualmente envolvidas em MotoGP, nomeadamente a Honda e a Yamaha, sendo que teria do seu lado nesta formação, o patrocínio da marca de refrigerantes Coca-Cola.

Claro que em Itália, onde muito se tem discutido sobre as escolhas da Ducati desde que Rossi chegou em 2011, os rumores ganham outra dimensão, mas uma coisa é certa: apoio da Coca-Cola dificilmente terá, pois a marca não gosta de ver o seu nome associado a atividades que considera “muito perigosas”.

Mas a criação de uma equipa privada poderá não ser uma realidade tão difícil de acreditar para Valentino Rossi, pois de acordo com algumas pessoas ligadas ao projeto desportivo da Ducati em MotoGP, o piloto de futuro da marca de Bolonha será mesmo um italiano, mas não será Rossi, e sim, Andrea Iannone, piloto que atualmente está a competir nas Moto2 – terminou em 2º a prova do Qatar, e que é bem visto pela estrutura italiana devido a ter “aquela” ponta de loucura necessária para domar a aparentemente indomável Desmoseidici.

No entanto, o único piloto a ter mais vitórias do que Valentino Rossi, a lenda Giacomo Agostini, refere que uma equipa privada não será a solução para os problemas de Rossi e, os fãs terão de começar a pensar que o nove vezes campeão mundial de velocidade, poderá ter chegado ao fim da sua carreira ao mais alto nível

“Eu estava à espera de um desabafo daqueles por parte dele. As expetativas eram elevadas e o desapontamento foi significativo. É normal. Quando as coisas correm bem todas as pessoas são os melhores amigos, mas quando correm mal, aí é que os problemas emergem. Tudo depende dos resultados: se eles tivessem começado a vencer todos eram amigos outra vez”, começou por dizer Agostini antes de se referir à possibilidade de Rossi passar a piloto privado

“É difícil ser um piloto privado, por que quando estamos habituados a ter tratamento de fábrica, sentimos que é um passo atrás. Os fabricantes têm recursos que uma equipa privada nunca pode igualar! O Rossi teria de fazer um investimento muito significativo para iniciar uma equipa privada. No meu caso foi diferente: eu regressei à MV Agusta tendo saído por razões puramente técnicas, pois as 2T eram mais competitivas. Tive o apoio de um patrocinador forte (Marlboro) e engenheiros de topo. Mas mesmo assim não foi tarefa fácil!

Ter um declínio na performance é triste mas inevitável. Como piloto, é difícil de compreender e aceitar. Talvez só começamos a perder dois décimos por volta, e começamos a questionar a moto e a equipa. Convém também não esquecer que o Valentino não é propriamente velho em termos de idade, mas tem uma carreira longa trás dele, tendo começado a competir quando era muito jovem. É como uma laranja: podemos continuar a espremer, mas a partir de um certo ponto deixa de dar sumo”.

Será que Giacomo Agostini tem razão e Valentino Rossi chegou mesmo ao fim da sua carreira ao mais alto nível? Ou Rossi apenas está a passar por um período de menor confiança que afeta o rendimento em pista?

Fonte: Motociclismo